Livro-me

EDITORA PANDORGA
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Talvez o leitor possa considerar que o título desta obra sugira que alguém necessite desfazer-se de alguma coisa. A licença poética, contudo, permite-me transformar o substantivo “livro” em verbo. Neste caso, o verbo “livrar-se” toma para si o sentido do substantivo e deixa de significar tornar-se livre de alguma coisa, passando a exprimir a ideia de transformar-se em livro. Esta é a minha segunda coletânea de crônicas. Penso que agora estou definitivamente me livrando, isto é, traduzinho, cada vez mais, ideias em palavras, transformando-as em livros. Quando faço este movimento – que se inicia de fora para dentro, mas que só se concretiza quando expresso reflexões em palavras escritas -, livro-me. Quando livro-me, as ideias não me pertencem mais, ganham mundo, vão viajar por onde nem se pode imaginar. Contudo, eu também acabo me livrando, no sentido literal, tornando-me mais leve, quando faço materializarem-se, no papel, sentimentos relacionados às dores do mundo, da alma e de amores de que falava na minha obra anterior. Palavralgia, e que continuo abordando no presente trabalho. Livro-me quando ponho a esburacada alma para fora. Só a sutil matéria de que é formada a imaginação é passível de preenche-la, transformando o que é oco em algo mais substancial. Então, em vez de pedir a Deus que me livre, digo “Deu me livro”, doando, assim, um pouco de alma, uma pequena contribuição, com aquilo que mais gosto de fazer: livrar-me. Então, livrai-me, Senhor!
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5.0
2 total
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Additional Information

Publisher
EDITORA PANDORGA
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Published on
Aug 20, 2016
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Pages
122
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ISBN
9788584421794
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Language
Portuguese
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Genres
Literary Criticism / Short Stories
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Esta coletânea é composta por três ensaios: “Histórias para sentir medo”, de Pedro Bandeira; “O fascínio do medo”, de Luiz Raul Machado; “Sombras da adolescência”, de Daniel Piza e “O terror diz: ‘até breve!’”, de Luiz Antonio Aguiar.

No primeiro ensaio, Pedro Bandeira faz interessantes observações acerca do prazer que o medo gerado pela leitura pode nos proporcionar. Tal prazer, para ele, seria uma consequência do trabalho criativo a que o ato de ler nos submete, que nos faz criar e sentir algo que está apenas nos sendo contado.

Em “O fascínio do medo”, Luiz Raul Machado afirma que é justamente o fascínio pelo medo criado apenas pela imaginação o responsável pela atração que as histórias de terror promovem. Segundo o autor, é isso que motiva as diversas releituras dos clássicos de terror que foram e continuam sendo feitas ao longo do tempo. Trata-se de ver com novos olhos e redescobrir sensações antigas.

“Sombras da adolescência” aborda inicialmente as obras de Poe, expandindo-se posteriormente para outros textos, mostrando o fascínio e a influência que estes podem exercer na adolescência, época em que nasce a vontade de ampliar horizontes e viver aventuras.

Por fim, no último ensaio, Luiz Antonio Aguiar faz um panorama bem explicativo sobre o gênero gótico. Quem tem interesse no assunto e quer conhecer mais sobre a literatura gótica não pode perder.

Com apresentação de Luis Antônio Aguiar, estes ensaios fazem parte do livro Góticos: Contos Clássicos - Vampiros, Múmias, Fantasmas e Outros Astros da Literatura de Terror, primeiro volume da Coleção Góticos.

Íntimo e desmedido, reacionário e frágil, iconoclasta e moralista: Nelson Rodrigues é um daqueles autores que não deixam ninguém indiferente. Também é difícil ficar indiferente diante deste livro de Luís Augusto Fischer, que enfoca o lado menos estudado da obra de Nelson: suas crônicas. Crônicas? Nada disso, argumenta Luís Augusto Fischer. Ensaios! Ensaios!, proclama o crítico, com "olho rútilo" e um não menos rodriguiano "vozeirão de barítono de Puccini". A crônica, para Fischer, é um gênero literário mais próximo das gracinhas do que do humor verdadeiro, mais inclinada ao descompromisso do que ao envolvimento pessoal; um gênero que não se arrisca –e Rubem Braga é desancado de passagem— a dar conta, de corpo e alma, do tempo presente. São estas algumas das qualidades que Fischer identifica, de modo persuasivo, ao mesmo tempo livre e sistemático, nos textos de Nelson Rodrigues. Mais ainda, esse "Montaigne brasileiro" foi quem definitivamente –e Mário de Andrade leva suas lambadas também—incorporou a linguagem coloquial à literatura brasileira. A revalorização da obra jornalística de Nelson Rodrigues deve muito a Ruy Castro, que organizou vários volumes de suas confissões, desabafos, provocações contra D. Hélder Câmara, estagiárias de calcanhar sujo e padres de passeata. São, sem dúvida, textos que ninguém lê sem prazer, até pelo que têm de hiperbólico em sua desconcertante naturalidade. Fischer dá um passo além nessa recuperação, mobilizando com agilidade e sem pedantismo um expressivo aparato teórico (em geral marxista, aliás) para acertar os relógios da crítica com esse tremendo dinossauro das nossas letras. Escrevendo contra a esquerda em plena ditadura, não é à toa que Nelson Rodrigues tenha ficado por muito tempo na geladeira; Fischer não se intimida diante do problema, reconhecendo que em muitos pontos o "reacionário" tinha razão.
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