A era da indeterminação

Boitempo Editorial
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"As políticas assistencialistas, que são na verdade políticas de funcionalização da pobreza, são a contraparte desse movimento de verdadeira liquidação da classe em curso no desenvolvimento brasileiro.(...) A erosão da base classista e a não-representatividade dos partidos e outras organizações políticas, como os próprios sindicatos, produzem um curto-circuito que é fatal para a política e para o exercício de governo." Francisco de Oliveira Desmanche. Da representação, da política, do público, da sociedade, das instituições, da democracia e da participação justamente quando estas pareciam mais próximas do que nunca, com o fim da ditadura militar. O novo livro da coleção Estado de Sítio, A era da indeterminação, é um projeto do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic), que investiga a privatização das decisões, a redução da esfera pública e o estado de exceção como paradigma de governo. Inspirado nas idéias de Francisco de Oliveira, autor de dois artigos e co-organizador junto com Cibele Saliba Rizek, o livro avança sobre o campo de compreensão das contradições da realidade brasileira, aberto a partir do ensaio "O ornitorrinco", publicado em 2003 pela Boitempo. Percebe-se, nos vários fragmentos do quebra-cabeça brasileiro analisados na obra, a sombra do peculiar animal, que para Oliveira simboliza o estranhamento em relação ao estágio de desenvolvimento atual. A era da indeterminação é justamente a ruptura da possibilidade de uma dinâmica que ligue classes, interesses e representação nas formas da política e nas ações de governo. O desligamento da economia da política. E uma crise de representatividade cuja solução decididamente não se encontra em uma discussão cosmética e oportunista de reforma política. Na primeira parte do livro, Francisco de Oliveira define e mostra as origens desse cenário na economia, na política e na cultura.
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Outras informações

Editora
Boitempo Editorial
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Publicado em
23 de out de 2015
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Páginas
376
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ISBN
9788575592090
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Ideal para
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Linguagem
português
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Gêneros
Ciência política / Administração e Relações Públicas
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Decifra-me ou te devoro!', ameaçava a Esfinge os viajantes amedrontados, antes de recitar o mais famoso enigma da história. Na verdade, a hegemonia 'lulista' representa nossa incontornável esfinge barbuda", aponta Ruy Braga, um dos organizadores de Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira, lançado agora pela Boitempo. Nascido a partir do artigo homônimo, de Francisco de Oliveira incluído nesta edição o livro resulta de seminário promovido pelo Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da Universidade de São Paulo (Cenedic), no qual buscou-se analisar os fundamentos econômicos, políticos e culturais "dessa forma sui generis de dominação social que se enraizou no país", como define Braga na apresentação. Em seu artigo, Oliveira apontava como, em mundo marcado pela crise capitalista e pelo colapso ambiental, o presidente brasileiro atingiu enorme prestígio ao absorver "transformisticamente" forças sociais antagônicas dentro do Estado, desmobilizando as classes subalternas e os movimentos sociais. Carlos Nelson Coutinho segue a provocação do sociólogo para percorrer o caminho de seu diagnóstico, que verifica nesta conjuntura uma "hegemonia da pequena política", "quando a política deixa de ser pensada como arena de luta por diferentes propostas de sociedade e passa, portanto, a ser vista como um terreno alheio à vida cotidiana dos indivíduos, como simples administração do existente". A apatia torna-se um fenômeno de massa, inclusive teorizada como um fator positivo para a conservação da "democracia". Como sintetiza Braga, Oliveira "adiantou sua conjectura: no momento em que a 'direção intelectual e moral' da sociedade brasileira parecia deslocar-se no sentido das classes subalternas, tendo no comando do aparato de Estado a burocracia sindical oriunda do 'novo sindicalismo', a ordem burguesa mostrava-se mais robusta do que nunca.
Publicado primeiramente como um ensaio, em 1972, com o título "A economia brasileira: crítica à razão dualista", este clássico da reflexão sobre o Brasil foi transformado em livro em 1973. Trinta anos depois, é reeditado pela Boitempo, batizado simplesmente de "Crítica à razão dualista". Somam-se a ele neste volume o ensaio "O ornitorrinco", também de Francisco de Oliveira, e o "Prefácio com perguntas", de Roberto Schwarz. Em Crítica à razão dualista, Chico de Oliveira propôs uma nova forma de pensar a economia brasileira, oposta à da intelectualidade da época que, ao mesmo tempo em que denunciava a miséria em que vivia (ainda vive) a maior parte da população latino-americana, mantinha seu esquema teórico amarrado à economia de mercado. Essa dualidade, segundo Chico, "reconciliava o suposto rigor científico das análises com a consciência moral", levando a proposições reformistas que reduziam a luta de classes à demanda. Crítica à razão dualista tenta apanhar esses caminhos cruzados: como "crítica, ela pertence ao campo marxista; como especificidade, pertence ao campo cepalino. Quanto à teoria do subdesenvolvimento, ela seria em parte responsável pela não formulação de uma análise do capitalismo no Brasil". Três décadas depois, a obra de Chico de Oliveira continua sua busca pela intersecção permanente entre a política, a economia e a sociedade brasileira e seus conflitos. Foi assim que ele promoveu a atualização de sua Crítica, escrevendo O ornitorrinco, nome que deu ao Brasil de hoje, sob o signo de Darwin: "altamente urbanizado, pouca força de trabalho e população no campo, dunque nenhum resíduo pré-capitalista; ao contrário, um forte agrobusiness. Um setor industrial da segunda Revolução Industrial completo, avançando, tatibitate, pela terceira revolução, a molecular-digital ou informática. (...
Publicado primeiramente como um ensaio, em 1972, com o título "A economia brasileira: crítica à razão dualista", este clássico da reflexão sobre o Brasil foi transformado em livro em 1973. Trinta anos depois, é reeditado pela Boitempo, batizado simplesmente de "Crítica à razão dualista". Somam-se a ele neste volume o ensaio "O ornitorrinco", também de Francisco de Oliveira, e o "Prefácio com perguntas", de Roberto Schwarz. Em Crítica à razão dualista, Chico de Oliveira propôs uma nova forma de pensar a economia brasileira, oposta à da intelectualidade da época que, ao mesmo tempo em que denunciava a miséria em que vivia (ainda vive) a maior parte da população latino-americana, mantinha seu esquema teórico amarrado à economia de mercado. Essa dualidade, segundo Chico, "reconciliava o suposto rigor científico das análises com a consciência moral", levando a proposições reformistas que reduziam a luta de classes à demanda. Crítica à razão dualista tenta apanhar esses caminhos cruzados: como "crítica, ela pertence ao campo marxista; como especificidade, pertence ao campo cepalino. Quanto à teoria do subdesenvolvimento, ela seria em parte responsável pela não formulação de uma análise do capitalismo no Brasil". Três décadas depois, a obra de Chico de Oliveira continua sua busca pela intersecção permanente entre a política, a economia e a sociedade brasileira e seus conflitos. Foi assim que ele promoveu a atualização de sua Crítica, escrevendo O ornitorrinco, nome que deu ao Brasil de hoje, sob o signo de Darwin: "altamente urbanizado, pouca força de trabalho e população no campo, dunque nenhum resíduo pré-capitalista; ao contrário, um forte agrobusiness. Um setor industrial da segunda Revolução Industrial completo, avançando, tatibitate, pela terceira revolução, a molecular-digital ou informática. (...
Celebrar o novo milénio é uma forma moderna de recordar aquilo que na cultura greco-romana se traduz no mito das idades em suas várias expressões, desde as propagandísticas, através da identificação do advento de um novo imperador com uma nova aetas ou com um novo saeculum, até à aspiração ao regresso de uma constelação benfazeja, tal como foi expressa na IV Bucólica de Virgílio. Recordar o espírito olímpico é, por outro lado, aderir a uma aspiração de harmonia, cultura e paz universais, numa permanente busca da concretização de uma utopia, na crença na capacidade humana de construir o ideal. Sem esquecer, pois, a importância da presença de um ideal messiânico , estamos a celebrar o homem na dimensão de promotor da paz e do progresso, na sua capacidade de realizar e de sonhar, e de sonhar até com ideais de glória. Estas vertentes de exaltação da capacidade humana têm fortes raízes na cultura greco-latina. Por isso, a presente coletânea de estudos pretende, também, ser uma manifestação de otimismo na permanência da cultura clássica como astro orientador do homem em todas as suas lutas por um futuro melhor. Trata-se, pois, de editar um conjunto de contributos de investigadores de várias universidades portuguesas e estrangeiras, de várias especialidades, predominantemente literárias, apresentados em linhas gerais, e depois reelaborados, no II Congresso da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos. Excerto do prefácio de Francisco de Oliveira.
"O Império Romano representa uma notável unificação da pluralidade e realizou a coesão do diverso" — escreve Jorge de Alarcão, acrescentando: "A um nível macro-político, macro-social ou macro-económico, podemos falar de globalização; mas, a um nível micro-social, mantiveram-se diferenças e especificidades que não conduziram, todavia, a disfuncionamentos ou tensões". Estas palavras evocam a visão de Borges de Macedo quando definiu o espírito europeu como unidade sem imposição da uniformidade (Portugal-Europa para além da circunstância, Lisboa, 1988, p.15). Ao mesmo tempo, tais palavras condensam as ideias gerais oferecidas ao leitor que percorrer o presente volume, onde são abordadas questões diversas, mas complementares e capazes de dar uma visão geral da civilização romana e dos valores matriciais da ideia de Europa que nela germinaram: a variedade e os matizes do conceito de Europa na poesia latina; a perduração de modelos comportamentais e pedagógicos na educação europeia; a utilização de critérios de civilização na perceção do outro e do exótico; a visão dos socialmente desprotegidos como indivíduos e seres humanos; a tolerância religiosa tipicamente romana em relação aos cultos locais ou até à presença do judaísmo em Roma, sem prejuízo dos clichés utilizados na sua caracterização; a apetência do cristianismo para se impor como religião dominante nalgumas zonas do Império Romano; a construção de um espaço económico gizado por vias de comunicação que ligavam o mundo romano na sua dimensão europeia; as lutas pelo poder do imperador Constantino, que colocou toda a sua ação, por vezes contraditória e brutal, ao serviço da perenidade do Império; a sólida construção de um edifício jurídico que ainda ilumina as sendas do direito europeu; a crítica sistemática da cidade pagã, pela boca de Agostinho, para, através dessa dialética, fundamentar um novo humanismo; enfim, uma abordagem do mundo romano enquanto paradigma da União Europeia, que igualmente se espera capaz de, na sua construção, exaltar os valores da cultura, na sua unidade e pluralidade.
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