Cris Lavratti tem uma tendência que me comove: a capacidade de ver o lado belo das coisas, da singeleza, da fragilidade, do medo, da dúvida e até da própria felicidade, que para ela jamais é óbvia. O cotidiano aqui retratado não é simplesmente obra do dia a dia e também não é comum, ao contrário do que o nome possa parecer. Porque o extraordinário reside justamente no cotidiano. Tudo construido através de uma escrita fortemente feminina, no conceito mais amplo da palavra. O universo feminino grita alto, mas visitando com tranquilidade as inquietações que são universais a todo ser humano que se dispõe a pensar e sentir.
Arrisco comparar o cotidiano a um amor, que ora pode surpreender-nos e trazer flores, nos encantar, nos tirar para dançar, e ora pode nos deixar na mão, esperando uma ligação prometida que jamais virá, ou até nos traindo pelas costas. Mas é justamente por essa espera, dúvida e desejo que nós amamos, os seres e o cotidiano. Então, ouse correr o risco de se aventurar nessas histórias e sensações que aqui seguem, e deixe o cotidiano da Cris te tirar para dançar. Essas crônicas nos convidam a viver exatamente cada prazer e cada dor que ele pode nos trazer, porque o cotidiano é como a própria vida: breve, crônica e inebriante. (A embriaguez de um olhar, por Luciane Slomka)
Libriana, publicitária, espiritualizada e intensa. Às vezes ácida. Às vezes doce. Sou apaixonada pela vida. Amo as palavras e os sentimentos que são capazes de despertar. Falo com o coração. Acredito na simplicidade, na amizade verdadeira e no olho no olho. Para mim, a inteligência, o pão e o vinho são afrodisíacos imcomparáveis. Sou assim, desse meu jeito. Deixo vir. Fujo. Me jogo, me travo, me fixo. Quem sabe um dia, eu me ache?