apresentará uma maneira completamente diferente de pensar e ver a si próprio e
o mundo.
Diferentemente de todos os outros manuais de língua tibetana coloquial, este
(quase) não utiliza os termos e categorias gramaticais das línguas europeias. Ao
invés disso, você se familiarizará com as noções, a lógica e as categorias usadas
pelos próprios tibetanos, a saber, a noção pervasiva de “Eu e o outro”
བདག་གཞན།, volitivo e não volitivo (བྱེད་འབྲེལ་ལས་ཚིག e
བྱེད་མེད་ལས་ཚིག) etc. Desse modo, você também compreenderá, com o
tempo, a mentalidade tibetana.
O fato de eu ser uma firme defensora desse tipo de abordagem não se deve
somente a uma filosofia ou preferência pessoal. Ela decorre, principalmente, da
minha experiência de ensino da língua tibetana a partir desse ponto de vista
durante os últimos sete anos. A respota de todos os meus alunos a tal abordagem
tem sido extremamente positiva.
Ainda assim, você pode perguntar: “Para que aprender essas novas categorias?”
Como você perceberá, a língua tibetana é bastante particular. As letras têm
gênero, os verbos precisam ser distinguidos entre ações realizadas com ou sem
volição e o uso dos auxiliares indica se o falante tem ou não experiência direta do
que está sendo dito. Nada disso existe na língua portuguesa e, portanto, não há
categorias gramaticais do português para tais funções. No início, aprender todas
essas diferenças pode ser uma dor de cabeça, mas elas têm um significado
profundo e fascinante. Eu estou certa de que você vai gostar de montar o quebra-
cabeças!