150 anos de futebol - O jogo

Editora SESI - Serviço Social da Indústria
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Em Futebol: o Jogo, livro que abre a coleção que comemora os 150 anos do Futebol, José Eduardo de Carvalho faz uma análise detalhada do esporte que tem o poder de fazer o mundo parar. Considerado por alguns como uma oportunidade de ascensão social, e por outros como um instrumento de alienação ideológica, o futebol provoca controvérsias que envolvem a própria vivência humana, a economia, política e as relações internacionais.
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Additional Information

Publisher
Editora SESI - Serviço Social da Indústria
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Published on
Nov 5, 2015
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Pages
84
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ISBN
9788565025409
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Language
Portuguese (Portugal)
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Genres
Social Science / Sociology / General
Sports & Recreation / Football
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José Eduardo de Carvalho
 Em nenhum momento dos últimos 110 anos, a trajetória das Copas do Mundo esteve desconectada da realidade socioeconômica dos países envolvidos ou não em suas disputas. Mesmo antes de se tornar um evento que movimenta bilhões de pessoas e cifras extraordinárias, o torneio de futebol entre nações realizado a cada quatro anos foi pontuado por inúmeras idas e vidas no ambiente político internacional, dúvidas e tragédias, crescimento e evolução técnica, mobilização social e utilização pelos poderes constituídos.

A pedra fundamental de um Mundial de Futebol realizado como evento independente, à parte da Olimpíada, foi esboçada já na fundação da FIFA, em 1904, mas lançada efetivamente após a Primeira Grande Guerra, sendo que a definição do primeiro país-sede (Uruguai) ocorreria em 1929, no Congresso da Fifa realizado em Barcelona, ainda em um ambiente de intensa agitação geopolítica. Ali foi definido que o Mundial seria disputado a cada quatro anos, alternando com diferença de dois anos com os Jogos Olímpicos. Teria sedes a princípio com alternância de continentes – entre Europa e América do Sul – e seria aberto a todas as nações filiadas em um processo de competição eliminatória, cujos vencedores fariam a fase final.

No Brasil de 2014, a Copa do Mundo chega a sua 20ª edição com números estratosféricos de popularidade e de mercado. O futebol atinge hoje mais de 4 bilhões de pessoas, mais de 60% da população mundial, cerca de 500 milhões de trabalhadores tiram seu sustento da prática e comercialização da modalidade. Bilionários contratos publicitários e de transmissão por todas as mídias sustentam o culto aos ídolos. E a reunião da nata dos profissionais em um torneio dessa magnitude – que congrega todos os grandes nomes em uma maratona de jogos por 30 dias – proporciona a mais grandiosa demonstração de pujança esportiva do que o homem é capaz.
José Eduardo de Carvalho
 Em um século e meio de vida, o futebol ajudou a contar a história das sociedades em transformação. Sob o olhar desse jogo simples e ao mesmo tempo magnético foram registrados momentos apaixonantes, trágicos, sublimes e dramáticos. Como um fiel retrato dos povos que o adotaram, o futebol foi testemunha tanto de barbaridades sociais quanto de episódios de júbilo coletivo, sofreu e cometeu injustiças, distribuiu prazeres e êxtase com a mesma desenvoltura com que produziu grandes traumas e pequenas mazelas, mas esteve sempre presente.

Não por acaso essa forma original e hábil de competir em grupo ressaltando as individualidades é a única atividade humana de que se tem conhecimento seguida todos os dias da semana, em todas as horas e em qualquer lugar pela bagatela de quatro bilhões de pessoas. Não há fronteiras geográficas nem barreiras sociais para quem goste do jogo. O futebol-espetáculo pode ser caro e inacessível, as entranhas do esporte como negócio podem ser obscuras, como tantas atividades na selva contemporânea, e os mecanismos de controle nem sempre serão pautados pelo bom senso e pela honestidade. Mas, nesta seara, o gostar é livre. Jamais haverá exclusão para quem quiser praticar, aderir, admirar e sofrer. Sim, porque o futebol também é uma terra de incertezas e de aflições – atraentes, renovadoras e energéticas, mas sempre aflições.

Em 150 anos, o esporte que nasceu no coração da Inglaterra da Revolução Industrial passou por incontáveis períodos de transformação e de adequação às diversas culturas. Foi sendo moldado de acordo com as idiossincrasias das sociedades que o incorporaram, abraçou costumes locais em um longo processo de maturação e, quando parecia consolidado, descobriu as leis de mercado e mergulhou numa nova aventura revolucionária, pautada pela tecnologia, pela velocidade da informação e pela globalização. Ainda assim, nunca perdeu suas essências humanistas, porque, neste jogo, pela lúcida percepção e sábias palavras do escritor uruguaio Eduardo Galeano, “onde menos se espera salta o impossível, o anão dá uma lição ao gigante e o negro mirrado e cambaio faz de bobo o atleta esculpido na Grécia”.   


István Mézáros
José Eduardo de Carvalho
 En ningún momento de los últimos 110 años la trayectoria de los Mundiales de Fútbol estuvo desconectada de la realidad socioeconómica de los países, involucrados o no en sus disputas. Mismo antes de convertirse en el evento que, hoy, mueve miles de millones de personas y cifras financieras extraordinarias, el torneo de fútbol entre naciones que se realiza a cada cuatro años, estuvo marcado por innúmeros vuelcos del contexto político internacional, dudas y tragedias, crecimiento y evolución técnica, movilización social además de su utilización por los poderes constituidos.

La piedra fundamental del Campeonato Mundial de Futbol realizado como evento independiente, fuera de los Juegos Olímpicos, se planteó ya en el momento de la fundación de la FIFA, en 1904, pero sólo se hizo efectiva después de la Primera Guerra Mundial, siendo que el primer país sede (Uruguay) se había definido en 1929, durante el Congreso de la entidad, realizado en Barcelona, aún en un ambiente de intensa inestabilidad geopolítica. Se definió además que se disputaría el Mundial a cada cuatro años, de forma alternada con los Juegos Olímpicos, con una diferencia de dos años entre sendos eventos. Para la organización serian designados países de Europa y Sudamérica, en un principio de forma alternada entre ambos continentes, y la participación estaría abierta a todas las naciones afiliadas, a través de un sistema de competición eliminatoria, cuyos vencedores compondrían la fase final.

El Mundial llega a su 20ª edición en 2014, en Brasil, logrando números estratosféricos de popularidad y de mercado. El fútbol alcanza en la actualidad, más de 4 mil millones de personas, una cuota superior al 60% de la población mundial. Gracias a la práctica o a la comercialización de la modalidad, se emplean cerca de 500 millones de trabajadores. Multimillonarios contratos publicitarios y de concesión de derechos de transmisión a través de todos los medios, mantienen activa la devoción a los ídolos de ese fenómeno de masas. Sólo un torneo de esa magnitud es capaz de concentrar la crème de la crème profesional del sector, todos los grandes nombres reunidos en un maratón de partidos a lo largo de 30 días para ofrecer la más grandiosa demonstración de pujanza deportiva que se haya conocido jamás.
Denis Vieira de Andrade
Denis Vieira de Andrade
José Eduardo de Carvalho
 In its one and a half century of life, soccer has helped telling the story of societies

in transformation. Under the eye of such simple and at the same time magnetic game, passionate, tragic, sublime and dramatic moments have been registered. Like a faithful portrait of the people who adopted it, soccer witnesses both social barbarities and episodes of collective joy; it has suffered threats and been unfair; it has distributed pleasures and ecstasies with the same agility it has produced traumas and minor suffering, but it has always been there.


It is not by chance that this original and skilful form of group competition which highlights individualities is the only human activity known to be followed every day of the week, anytime and anywhere by nothing less than four billion people. There are neither geographical frontiers nor social barriers for those who appreciate the game. The spectacle of soccer may be expensive and unaffordable, the guts of the sport may be obscure, like so many activities of the contemporary jungle, and the control mechanisms are not always based on common sense and honesty. However, in this regard, enjoying it is for free. There shall never be exclusion for those who want to practice it, adhere to it, admire it and suffer with it. Yes, because soccer is also a land of uncertainties and afflictions – attractive, renewing and energetic ones, but afflictions nevertheless.


In 150 years, the sport that was born in the heart of England’s Industrial Revolution has

undergone through countless periods of transformation and adjustments to several cultures. It has been molded in accordance to the idiosyncrasies of the societies that have incorporated it, embraced local costumes in a long maturation process and, just when it seemed consolidated, it discovered the market laws and plunged into a new revolutionary adventure, based on technology, on the speed of information and on globalization. Even so, it has never lost its human essences because, in this game, as the writer Eduardo Galeano lucidly and wisely states “from where we least expect comes the impossible, the dwarf teaches the giant a lesson and the puny, bowlegged black boy makes a fool out of an athlete sculpted in Greece”.


José Eduardo de Carvalho
 Never in the last 110 years, has the World Cups’ trajectory been disconnected from the socioeconomic reality of the world’s nations whether they have taken part in the championship or not. Even before becoming a multibillion dollar event that involves billions of people as well, this international football championship, which takes place every four years, has been marked by countless ups and downs in the international political scenario, doubts and tragedies, growth and technical evolution, social mobilization and use of vested powers.

The landmark of a World football championship as an independent event, aside from the Olympic Games, was firstly thought of at FIFA’s very foundation, in 1904, but effectively launched after the First World War, being the first Host country (Uruguay) defined in 1929, during FIFA’s congress, which was held in Barcelona, being the atmosphere of yet intense geopolitical unrest. At that meeting, it was decided that the championship should be held every four years, alternating with the Olympic Games, although with a two year difference between the two events. Initially the hosting locations would be alternated among the participating continents – Europe and South America – in which all the affiliated nations could take part, in a process of eliminatory competitions, being the final phase played by the winners of the eliminatory phase.

In 2014’s Brazil, the World Cup has come to its twentieth edition, having its popularity and market rates reached stratospheric heights. Today, football has reached out to over four billion people, more that 60% of the world’s population, comprehending about 500 million jobs related to the practice and the commercialization of this sport. Billion dollar publicity and broadcasting contracts from all kinds of media are behind the worshiping of the football idols. The meeting of the cream-of-the-crop players in this most magnanimous event – which gathers all the great stars in a marathon of games that lasts thirty days – provides us with an event of the uppermost expression of sports related vigor which mankind is capable of.
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