Mão na luva

· Temporal Editora
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Um casal – Ele e Ela – vive uma crise e discute sua separação iminente. Ela quer deixar o casamento, alegando não o aguentar mais, ao passo que Ele resiste à ideia, menosprezando as motivações da companheira. O conflito matrimonial desvela camadas mais profundas do relacionamento conforme o espectador-leitor se depara com uma sequência de flashbacks, e o passado repleto de paixão aos poucos revela mudanças, traições, omissões, silêncios e distâncias acumulados ao longo dos anos. Entre idas e vindas, os afetos pessoais e os conflitos agressivos do casal se dissolvem e, em seu lugar, emerge o contexto político. Ela (mais tarde nomeada Sílvia) recorda a antiga militância de esquerda que Ele (Lúcio) aos poucos abandonou para tornar-se alguém oposto ao que outrora perseguia como ideal. Escrita em 1966, Mão na luva, primeira incursão de Oduvaldo Vianna Filho pelo terreno do lirismo, aborda os impasses da classe média pós-1964 com surpreendente complexidade formal e analítica, o que confere ao texto caráter único em sua obra. No entanto, os impasses políticos típicos do momento histórico em que foi escrita não se sobrepõem aos dilemas existenciais dos personagens da peça. O subtítulo "Introdução ao homem de duas faces" traz a dimensão do que é retratado: pessoas divididas entre suas possibilidades de vida, bem como suas consequências.
Um casal – Ele e Ela – vive uma crise e discute sua separação iminente. Ela quer deixar o casamento, alegando não o aguentar mais, ao passo que Ele resiste à ideia, menosprezando as motivações da companheira. O conflito matrimonial desvela camadas mais profundas do relacionamento conforme o espec...

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About the author

Oduvaldo Vianna Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1936, filho de um dramaturgo (Oduvaldo Vianna) e de uma radialista (Deocélia Vianna). Ligado à militância política comunista por influência de seus pais, cresceu em contato com quadros históricos do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Ao ingressar no movimento estudantil, ainda na adolescência, organizou, juntamente com Gianfrancesco Guarnieri e outros companheiros, o Teatro Paulista do Estudante, deixando clara desde o início sua opção artística por um teatro empenhado na transformação da sociedade. Ao longo de sua carreira, Vianna participou de frentes de trabalho fundamentais para a renovação da dramaturgia e do teatro como veículos de reflexões estéticas e políticas: o Teatro de Arena de São Paulo, entre 1955 e 1960, o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC da UNE), entre 1961 e 1964, e o grupo Opinião, do Rio de Janeiro, entre 1964 e 1967. No CPC seu trabalho teve crucial importância para a criação de um teatro político de rua, do qual ele participou como dramaturgo e como ator. Em 1964, com o golpe e a implantação do regime autoritário, a UNE foi fechada e posta na clandestinidade. A perseguição política tornou impossível a continuidade do projeto cultural que ali se desenvolvia, e a prioridade artística e política de Vianna, dentro dessa nova e difícil conjuntura, passa a ser a resistência ao golpe, entendida como primeiro passo para a luta contra o autoritarismo. Em 1968, com o Ato Institucional número 5, é implantada a censura prévia aos meios de comunicação, e acirra-se a repressão a todos aqueles ligados à militância e à arte de esquerda. A necessidade de trabalhar e o desejo de atingir outras faixas de público levam Vianna a estreitar seus laços com a televisão, já que todas as suas peças haviam passado a ser sumariamente proibidas pela censura. Escrevendo inicialmente para o programa de teleteatro de Bibi Ferreira (Bibi – Série Especial), na Tupi do Rio de Janeiro, Vianna (juntamente com seu ex-companheiro do CPC, Armando Costa) passa, em 1973, a criar, na TV Globo, os roteiros de A Grande Família, programa em que o talento de comediógrafo herdado de seu pai, Oduvaldo Vianna, se fez sentir. A censura impediu que a grande maioria das peças que Vianna escrevera após o golpe fossem encenadas, mesmo que tivessem sido premiadas pelo concurso de dramaturgia do Serviço Nacional de Teatro, como Papa Highirte, de 1968, e Rasga coração, de 1974, seu último trabalho. Mesmo após sua morte, em 1974, suas peças têm se mantido perturbadoramente atuais, e o mergulho no conhecimento de seu trabalho é obrigatório para todos os que acreditam que o teatro tem papel importante na história das lutas contra a opressão e a desigualdade.
Oduvaldo Vianna Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1936, filho de um dramaturgo (Oduvaldo Vianna) e de uma radialista (Deocélia Vianna). Ligado à militância política comunista por influência de seus pais, cresceu em contato com quadros históricos do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Ao ingressar...

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