Mar nos pés

E-Galáxia
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A escrita de Rafa primeiro conturba os sentidos, para após, se revelar ao leitor como um lego. Embrenhar-se na desafiadora experiência de remontar os sentidos não só pelo que se depreende do texto...ele nos abre janelas pelas quais podemos ultrapassá-lo, é degustar sabores que aguçam a memória do nosso desejo, diferente em cada um, porém, de mesmo DNA. O autor parece saber que fibrilações potencializam os sentidos de seres desejantes e para eles escreve, atribuindo sabor à lascívia, que agridoce tempera deliciosamente o açoite que é se render a um amor vil, daqueles que se carrega vida afora na memória da pele e só o tempo torna comum tal experiência, tal qual o toque do mar nos pés. Em seu texto sensações tácteis nos banham, e se nos falta um dos sentidos, como a audição, muitas vezes suprimida pela turba, não nos faltam palavras cheias de viço do poeta para encaminhar nosso olhar, nos fazer focar no que é preciso - "lábios, sinais e gestos, onde " ... dançamos, flutuamos marítimos pela casa..." querendo apenas sentir a sarça ardente (de um amor atemporal) esquentar" para " bailarmos atravessando circenses e marciais os cômodos da casa." Nesse mar de aparente excessos, bom é sentir que a alma ainda pode se embriagar com a mistura de quintais, galinhas, caboclos, danças e devoção ao amor, onde a magia acontece e ali podemos "nos esvaziar de tudo com o auxílio do vento solto", apenas. É de coisas simples, comuns, em palavras ritmadas, que Rafael cria seu universo cheio de pistas para epifanias presentes no cotidiano - O vento sempre aparece no quintal, dando vida às roupas no varal. Nele senti notas da poesia de Manoel Barros, se contaminando pela turba de nosso tempo, em que tudo se contrapõe – silêncio/barulho dos bichos, cavalos/selvagem gentil... vida que corre em paralelo e no laço do poeta, assombra, acalma. Mas a poesia de Rafa não é só de amor e singelezas, por isto mesmo é potente. Sabe de olhar seco, inquisição, velhice, frio, desgraça. Então, necessária a prece em voz de bichos para não esquecer que nunca é tarde se nos embrenharmos na fluidez delicada de antigos códigos para saborizarmos histórias de amor ao amor, à horta, a tudo que plantamos ou nasce do próprio querer e nos fascina.
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About the author

Rafa Barrozo nasceu em 1964, em São João de Meriti, RJ. Embora tenha formação de Técnico Contábil, nunca exerceu essa profissão, tendo enveredado por várias outras áreas como marcenaria, hotelaria, comércio, indústrias química e metalúrgica, e simultaneamente, sempre andou de mãos dadas com a arte, através da poesia, mais precisamente da prosa poética, e ainda das artes plásticas e da música, tendo tocado na noite, em bares e eventos, por 15 anos. Atualmente, mora no bucólico bairro carioca, Cosme Velho, onde, da varanda produz suas telas, seus poemas e suas músicas.
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Additional Information

Publisher
E-Galáxia
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Published on
Aug 20, 2018
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Pages
44
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ISBN
9788584742332
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Features
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Language
Portuguese
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Genres
Poetry / General
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O amor é uma das manifestações mais genuinamente humanas: é sentimento (na figura da sensação provocada pelo ser amado) como também pensamento (resultante da compreensão do indivíduo acerca de seu próprio estado amoroso). O amor, inicialmente único, paradoxal, completo, hermético e sem qualquer importância para os outros, por meio da poesia, expõe seus contornos mais belos (e, por que não, trágicos?) permitindo aos leitores experimentarem a identificação com o escritor: desse modo, a poesia se transforma numa genuína ponte de comunicação entre os seres humanos. Nesse livro, explora-se o liminar entre o êxtase de amar e a dor do amor não concretizado. Afinal, a poesia é exteriorização de um desejo, sua realização sublimada: as palavras impronunciáveis que se remodelam na forma de arte. A obra é composta por 60 poemas escritos entre 2010 e 2012, que versam sobre o amor e seus desdobramentos mais imediatos como solidão, dor, felicidade e arrebatamento. Em diversas ocasiões, remete-se à mitologia grega, estabelecendo paralelos e releituras entre deuses e o ser amante, divinamente amaldiçoado. Referências diversas, de óperas a esculturas, permitem estabelecer diálogos com outras manifestações artísticas. E, não menos importante, trabalha-se com as múltiplas interpretações que podem surgir do uso da língua para racionalizar o sentimento amoroso. Dessa forma, essa coletânea de poesias procura explorar a universalidade do amor, permitindo que o leitor possa reconhecer nos versos, o reflexo da sua própria concepção e experiência amorosa.
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