Recortes do Tempo

Editora Viseu LTDA - ME
Free sample

Recortes do tempo é o sexto livro escrito por Roberto de Queiroz. Esta obra resulta de uma coletânea de artigos e crônicas, publicados nos seguintes periódicos: Diario de Pernambuco, Folha de Pernambuco, Gazeta do Oeste, Gazeta Nossa, Jornal do Commercio, Jornal Igaçaba, O Nheçuano, O Radar e Vaia, entre outros suportes textuais, no período de março de 2001 a abril de 2017. Os textos estão organizados de acordo com a ordem de publicação e abordam principalmente estas áreas de conhecimento: educação, linguística, literatura, relações humanas e teoria literária.
Read more
Collapse
Loading...

Additional Information

Publisher
Editora Viseu LTDA - ME
Read more
Collapse
Published on
Feb 1, 2019
Read more
Collapse
Pages
148
Read more
Collapse
ISBN
9788530002343
Read more
Collapse
Read more
Collapse
Read more
Collapse
Language
Portuguese
Read more
Collapse
Genres
Literary Criticism / Short Stories
Read more
Collapse
Content Protection
This content is DRM protected.
Read more
Collapse
Read Aloud
Available on Android devices
Read more
Collapse
Eligible for Family Library

Reading information

Smartphones and Tablets

Install the Google Play Books app for Android and iPad/iPhone. It syncs automatically with your account and allows you to read online or offline wherever you are.

Laptops and Computers

You can read books purchased on Google Play using your computer's web browser.

eReaders and other devices

To read on e-ink devices like the Sony eReader or Barnes & Noble Nook, you'll need to download a file and transfer it to your device. Please follow the detailed Help center instructions to transfer the files to supported eReaders.
Talvez o leitor possa considerar que o título desta obra sugira que alguém necessite desfazer-se de alguma coisa. A licença poética, contudo, permite-me transformar o substantivo “livro” em verbo. Neste caso, o verbo “livrar-se” toma para si o sentido do substantivo e deixa de significar tornar-se livre de alguma coisa, passando a exprimir a ideia de transformar-se em livro. Esta é a minha segunda coletânea de crônicas. Penso que agora estou definitivamente me livrando, isto é, traduzinho, cada vez mais, ideias em palavras, transformando-as em livros. Quando faço este movimento – que se inicia de fora para dentro, mas que só se concretiza quando expresso reflexões em palavras escritas -, livro-me. Quando livro-me, as ideias não me pertencem mais, ganham mundo, vão viajar por onde nem se pode imaginar. Contudo, eu também acabo me livrando, no sentido literal, tornando-me mais leve, quando faço materializarem-se, no papel, sentimentos relacionados às dores do mundo, da alma e de amores de que falava na minha obra anterior. Palavralgia, e que continuo abordando no presente trabalho. Livro-me quando ponho a esburacada alma para fora. Só a sutil matéria de que é formada a imaginação é passível de preenche-la, transformando o que é oco em algo mais substancial. Então, em vez de pedir a Deus que me livre, digo “Deu me livro”, doando, assim, um pouco de alma, uma pequena contribuição, com aquilo que mais gosto de fazer: livrar-me. Então, livrai-me, Senhor!
Íntimo e desmedido, reacionário e frágil, iconoclasta e moralista: Nelson Rodrigues é um daqueles autores que não deixam ninguém indiferente. Também é difícil ficar indiferente diante deste livro de Luís Augusto Fischer, que enfoca o lado menos estudado da obra de Nelson: suas crônicas. Crônicas? Nada disso, argumenta Luís Augusto Fischer. Ensaios! Ensaios!, proclama o crítico, com "olho rútilo" e um não menos rodriguiano "vozeirão de barítono de Puccini". A crônica, para Fischer, é um gênero literário mais próximo das gracinhas do que do humor verdadeiro, mais inclinada ao descompromisso do que ao envolvimento pessoal; um gênero que não se arrisca –e Rubem Braga é desancado de passagem— a dar conta, de corpo e alma, do tempo presente. São estas algumas das qualidades que Fischer identifica, de modo persuasivo, ao mesmo tempo livre e sistemático, nos textos de Nelson Rodrigues. Mais ainda, esse "Montaigne brasileiro" foi quem definitivamente –e Mário de Andrade leva suas lambadas também—incorporou a linguagem coloquial à literatura brasileira. A revalorização da obra jornalística de Nelson Rodrigues deve muito a Ruy Castro, que organizou vários volumes de suas confissões, desabafos, provocações contra D. Hélder Câmara, estagiárias de calcanhar sujo e padres de passeata. São, sem dúvida, textos que ninguém lê sem prazer, até pelo que têm de hiperbólico em sua desconcertante naturalidade. Fischer dá um passo além nessa recuperação, mobilizando com agilidade e sem pedantismo um expressivo aparato teórico (em geral marxista, aliás) para acertar os relógios da crítica com esse tremendo dinossauro das nossas letras. Escrevendo contra a esquerda em plena ditadura, não é à toa que Nelson Rodrigues tenha ficado por muito tempo na geladeira; Fischer não se intimida diante do problema, reconhecendo que em muitos pontos o "reacionário" tinha razão.
©2019 GoogleSite Terms of ServicePrivacyDevelopersArtistsAbout Google|Location: United StatesLanguage: English (United States)
By purchasing this item, you are transacting with Google Payments and agreeing to the Google Payments Terms of Service and Privacy Notice.