Cosmópolis: Mobilidades culturais às origens do pensamento antigo

Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
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Apesar das suas tensões e contradições, os diversos discursos acerca da globalização deixam entrever um desejo de construir o espaço e o tempo do encontro entre mundos e culturas, mediante a persistência de um diálogo que aproxime as distâncias, mas respeite as diferenças. Parte considerável da formação política, cultural, urbanística, linguística do mundo ocidental hauriu motivos e soluções da instituição das póleis e cosmópoleis do Mundo Antigo. Por outro lado, a mobilidade pode mesmo ser considerada um traço característico da cultura luso-brasileira, desde os descobrimentos portugueses e a sua produção cultural, nos primeiros passos da literatura jesuítica no Brasil, em especial em José de Anchieta, passando por António Vieira, Machado de Assis, Guimarães Rosa, entre outros. Por esse motivo, a presença e os diversos matizes do tema da mobilidade e da cosmópolis antigas na recepção da Antiguidade Clássica na literatura de língua portuguesa constituem igualmente um tema central do volume.

 

 Despite its tensions and contradictions, the various discourses on globalization hint at a desire to build a space and time for encounters between worlds and cultures, through the persistence of a dialogue that shortens the distances, but respects the differences. A considerable part of the political, cultural, urban, linguistic shape of the Western world drew inspirations and solutions from the experience of poleis and cosmopoleis of the Ancient World. On the other hand, mobility may even be perceived as a characteristic feature of Luso-Brazilian culture, from the Portuguese Discoveries and their cultural production in the early stages of Jesuit literature in Brazil, especially in José de Anchieta, down to António Vieira, Machado de Assis, Guimarães Rosa, among others. Therefore, the presence and the different hues respecting the topic of mobility and of old cosmopoleis in the reception of Classical Antiquity in Portuguese literature are as well a central theme of the volume.

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About the author

Gabriele Cornelli é professor de Filosofia Antiga no Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB). Ele é Presidente da Sociedade Internacional de Platão (2013-2016) e Diretor da Cátedra UNESCO Archai sobre as origens do pensamento ocidental. Atua nos Programas de pós-graduação em Metafísica e Bioética da UnB e em Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É editor da revista Archai e da revista Atlantís. É editor de quatro coleções: Brill’s Plato Studies, Archai (Annablume, SP), Cátedra (Paulus , SP) e Filosofia e Tradição (UNESCO, Brasil). Já foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (2012-13) e da Sociedade Brasileira de Platão (2008-2010).

 

 Gabriele Cornelli is Professor of Ancient Philosophy at the Department of Philosophy at the University of Brasília (UnB). He is President of the International Plato Society (2013-2016) and Director of the Archai UNESCO Chair on the origins of Western Thought. He works in Post-Graduate Programs in Metaphysics and Bioethics at UnB and in Philosophy at Federal University of Rio de Janeiro. He is also Editor of the Archai and Atlantís journals. He is currently editing four monograph Series: Brill’s Plato Studies, Archai (Annablume, SP), Cátedra (Paulus, SP) and Filosofia e Tradição (UNESCO, Brazil). He was President of the Brazilian Society of Classical Studies (2012-13) and of the Brazilian Plato Society (2008-2010).

 

Maria do Céu Fialho é Professora Catedrática do Instituto de Estudos Clássicos e investigadora no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra. A sua atividade de investigadora e docente tem‐se centrado na língua e literatura grega, e em estudos de teatro clássico, contexto e recepção, bem como de poética. Trabalha também a obra de Plutarco.

 

Maria do Céu Fialho is Full Professor at the Institute of Classical Studies and researcher at the Centre for Classical and Humanistic Studies at the University of Coimbra. Her research and teaching activity has focused on Greek language and literature, on classical theater studies, context and reception, as well as on poetics. She currently studies as well the work of Plutarch.

 

Delfim F. Leão é Professor Catedrático do Instituto de Estudos Clássicos e investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra. A sua investigação tem incidido em particular sobre o direito e teorização política dos Gregos, a pragmática teatral e o romance latino. Tem também um grande interesse na área das Humanidades Digitais. Entre os seus trabalhos encontram-se D. F. Leão, E. M. Harris e P. J. Rhodes (eds.), Law and Drama in Ancient Greece (Duckworth, London, 2010); D. F. Leão e F. Frazier (eds.), Tychè et pronoia. La marche du monde selon Plutarque (Coimbra e Paris, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010); D. F. Leão e P. J. Rhodes, The Laws of Solon. A New Edition, with Introduction, Translation and Commentary (I.B. Tauris, London, 2015).


Delfim F. Leão is Full Professor at the Institute of Classical Studies and researcher at the Centre for Classical and Humanistic Studies at the University of Coimbra. His main areas of scientific interest are ancient history, law and political theory of the Greeks, theatrical pragmatics, and the ancient novel. He also has a deep interest in Digital Humanities. Among his works are D. F. Leão, E. M. Harris and P. J. Rhodes (eds.), Law and Drama in Ancient Greece (Duckworth, London, 2010); D. F. Leão and F. Frazier (eds.), Tychè et pronoia. La marche du monde selon Plutarque (Coimbra and Paris, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010); and D. F. Leão and P. J. Rhodes, The Laws of Solon. A New Edition, with Introduction, Translation and Commentary (I.B. Tauris, London, 2015).

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Additional Information

Publisher
Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
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Published on
Nov 29, 2016
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Pages
311
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ISBN
9789892612874
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Best For
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Language
Portuguese
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O número 18 da revista Archai traz para seu público de atentos e fiéis leitores diversos artigos inéditos e várias novidades.
A sessão Artigos é, neste número, inteiramente dedicada a Platão, sendo aberta por um longo artigo de Giovanni Casertano dedicado ao tema da reminiscência no Fédon. O texto é o resultado de um mini‑curso que o professor Casertano, Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília e pesquisador colaborador da Cátedra UNESCO Archai, ministrou no ano passado aqui em Brasília. A tese de Gianni é a de que a teoria da reminiscência, para além de simplesmente cumprir uma função no interior dos argumentos em favor da imortalidade da alma, esconderia uma autêntica teoria da aprendizagem, do conhecimento e do saber. O segundo artigo, de autoria de Renato Matoso, pretende realizar uma análise crítica do surgimento e estabelecimento do mais recente e ainda mais aceito paradigma de organização e interpretação da obra de Platão: paradigma desenvolvimentista.
Renato é atualmente pós‑doutorando da Cátedra UNESCO Archai mas já foi selecionado como professor efetivo do Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde ficará com a cátedra da sua mestra, a Professora Maura Iglesias. O artigo de Barbara Botter, escrito em italiano, enfrenta uma temática espinhosa no diálogo Sofista de Platão: a distinção entre original, imagens verdadeiras e imagens falsas. Francesca Pentassuglio, num artigo em espanhol, dedica sua atenção aos conceitos de proagogeia, mastropeia, promnestria na literatura antiga, em busca de um referencial para as concepções maiêuticas socráticas.
Vera Pugliese, professora do Instituto de Artes da Universidade de Brasília, parte, em seu artigo, de diferentes recepções do grupo escultórico Laocoonte desde a Antiguidade e suas repercussões nas produções artística e teórica sobre arte, para pensar uma ligne de partage entre os olhares sobre o passado de Johann J. Winckelmann e Aby Warburg. Em mais um artigo em espanhol, a professora e pesquisadora argentina Pilar Spangenberg apresenta uma nova luz hermenêutica sobre a particular dinâmica refutativa utilizada no Crátilo de Platão para defender a tese convencionalista, com resultados francamente entusiasmantes. Por último, os professores Rodolfo Lopes e o que aqui escreve apresentam a uma primeira parte, preparatória, de um projeto mais amplo que tem como objetivo reposicionar o debate sobre as doutrinas não‑escritas de Platão, para dar conta delas de maneira mais sistemtática e holística de modo a apresentar uma nova a interpretação da obra platônica no seu conjunto.
O breve, mas elucidativo, Dossiê Pierre Hadot: a filosofia como modo de vida reúne três estudos sobre aspectos da vida e da obra de Hadot. Coordenado pela professora Loraine Oliveira, o dossiê inclui artigos inéditos sobre o legado do filósofo e helenista francês, atualmente objeto de grande interesse tanto na França como também no Brasil. Para maiores detalhes, remeto para a Apresentação do dossiê que conta ainda como autores como Phililppe Hoffmann e George Almeida Jr.
Quatro Resenhas fecham este número: Rodrigo Brito sobre a recente tradução comentada das Epítomes Alexandrinas de Galeno, Walbridge; Pedro Proscurcin Jr. sobre a recente obra de A. A. Long dedicada aos conceitos de mente e de self na Literatura Antiga; César Sierra sobre a obra de Grethlein apresenta a tese do uso da empatia na narrativa dos historiadores antigos.
Por último, Irley Franco resenha a mais recente tradução comentada da Poética de Aristóteles, por P. Pinheiro publicada no Brasil. É de sublinhar que a Archai é procurada por pesquisadores como fórum de discussão e debate do que se publica na área de filosofia e estudos clássicos, tanto no Brasil como a nível internacional.
A Revista Archai dá ainda as boas‑vindas à professora Anna Motta, Frei Universität de Berlim, que passa agora a integrar a Comissão Científica e agradece mais uma indexação, na Philpapers.
Enquanto fechávamos este número, nos chegou a notícia do falecimento, no dia 3 de agosto, de nosso colega e amigo, o prof. Marcelo Pimenta Marques (1956-2016). Marcelo era professor titular do Departamento de Filosofia da UFMG e membro do Comité Científico desta revista, além de amigo e colaborador da Cátedra UNESCO Archai há mais de uma década. Foi-se cedo e de repente o amigo e colega amado por todos. Fica a tristeza por uma perda irreparável e o compromisso de seguirmos seu exemplo de dedicação e cortesia.
Boa leitura a todxs!Editorial de Gabriele Cornelli

 

Quando Aristóteles, na sua "Poética", apresenta a conhecida distinção entre Poesia e História, pelo facto de a primeira representar os universais possíveis e a segunda o particular ocorrido, tem como objeto desta consideração discursos narrativos distintos, de acordo com objetivos de representação também diversos. Porém, o retrato literário, conforme o podemos perceber já em Heródoto, é desde cedo explorado pelo historiador como forma de transmitir a sua perceção dos mecanismos da História e do modo como, por detrás do facto histórico singular, é passível de apreensão esse jogo entre contingente e necessário que leva o homem a agir como age. Os discursos das personagens de Tucídides são o exemplo da aplicação do modelo poético: da ação histórica, concreta e particular, extrai o historiador a palavra que potencialmente teria sido proferida por quem comandou ou por quem sofreu. Deste modo se transfere para os agentes da História a própria perceção de quem, mais do que registá-la, a tenta compreender. Se na História o homem se revê, para se compreender enquanto indivíduo e enquanto comunidade, devemos ainda à Antiguidade Grego-latina a conversão do discurso histórico num exemplum que não sirva apenas como meio de compreensão, mas também como instrumento de aperfeiçoamento da Humanidade. A retórica do retrato literário, porquanto converte o humano, concreto e individual, em suporte expressivo de um universal com que o historiador-poeta pretende chegar ao seu público — de ouvintes ou de leitores — virá a converter-se em estratégia de teorização política e converter-se-á num poderoso filão discursivo da ou das culturas ocidentais — até ao império da imagem e ao tratamento da imagem ligado à competição pelo poder ou à imposição da figura de quem o exerce. Por seu turno, a biografia política nasce em concatenação com o retrato literário, de dimensão diacrónica, como esforço de compreensão da natureza e da ação de homens que se destacaram na vida política de comunidades e a determinaram. Procura o seu autor compreender os nexos entre homem e a sociedade para, já em Plutarco, se iniciar um processo de identificação entre o homem e essa sociedade, congéneres, consubstanciando o destino poetizado do homem os vícios e virtudes da comunidade, e aparecendo a comunidade como uma espécie de projeção humanizada do destino do biografado. É objetivo deste volume, porventura o segundo de uma série, focar alguns exemplos, desde a origem greco-latina até à modernidade, de um recurso expressivo de cariz poético-político que constitui uma das múltiplas linhas de força da linguagem cultural europeia de matriz clássica. Inscrito no contexto de divulgação de resultados do Projeto de Investigação da UI&D – Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, «Génese e desenvolvimento da ideia de Europa», e antecedido por Nomos – Lei e sociedade na Antiguidade Clássica, este volume e a investigação que implicou teriam de ser perspetivados interdisciplinar e internacionalmente, num diálogo cultural que se impunha.
O livro Polis/Cosmópolis publica os resultados da investigação, feita a partir de perspectivas diversas, do modo como coexistiam, em tensão ou harmonia, no Mundo Greco-romano, na Idade Média e no Renascimento, identidades regionais e globais, minorias e maiorias, como se formaram e transformaram, desde o sistema da pólis, do fenómeno da colonização, das ligas hegemónicas, da imagiologia de uma Atenas ideal à de uma Atenas instável e de valores perdidos, retratada através das suas figuras públicas, do olhar sobre o Outro e sobre a variedade de regimes políticos do Outro, aos Reinos Helenísticos, enfatizando Alexandria. Segue-se o percurso que leva de Roma a uma Romanitas linguística e da Europa ao Novo Mundo. Mantiveram-se, no entanto, coexistentes, por muito tempo, as línguas locais e a língua do Império, como afirmação de identidade regional e de pertença global. Foi o caso dos Reinos Alexandrinos, mas também, como se verá, o caso da Hispânia.
Este percurso leva a que se atente ao modo como padrões estéticos evoluíram, de uma sociedade oral para uma sociedade do livro e da leitura, tendo como suporte o mito, na sua inesgotável variedade, que vai da Índia Antiga e do seu interagir com o universo greco-romano ao Mundo Novo, através da recepção dos Clássicos, estudada e exemplificada no contexto da Lusofonia, através de uma reflexão, feita a partir desse Novo Mundo, sobre o papel dos Clássicos na educação em espaços diversos.


Polis/Cosmopolis publishes the results of research, arising from diverse perspectives, into the coexistence, in tension or in harmony, of regional and global identities, minorities, and majorities in the Graeco-Roman world, in the Middle Ages, and in the Renaissance. This work will explore the ways in which these cultural modalities were shaped, and transformed themselves, involving the polis system, the phenomenon of colonization, the hegemonic leagues, and Athens, both ideally imagined and historically beset with instability and lost values (as attested by its leading men). Our investigations also envision the Other, and consider the variety of political dispensations for the Other down to the Hellenistic kingdoms with, naturally, Alexandria first and foremost. There then follows the evolution that leads from Rome to a linguistic Romanitas and from Europe to the New World. Indeed, for a long time, local languages and the language of imperium coexisted as affirmations of regional identity and global integration, as was the case in the Hellenistic East as well as, in fact, in Hispania.

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