A matriz das reflexões e conclusões contidas nestas páginas emerge dos povos originários — uma grande fonte de informações e ensinamentos, embora ainda incompreensivelmente marginalizada. Trata-se de "mundos", no plural, nos quais não prima a cultura escrita — algo que talvez possa limitar a difusão de seus ensinamentos, mas certamente não a impossibilita. Esses mundos estão vivos em diversos cantos do planeta e, decerto, na memória de muitas culturas, inclusive nas que hoje são consideradas "avançadas".
Este livro não compila receitas nem modelos. Não pretende ser um manual do Bem Viver ou oferecer recomendações de autoajuda que contribuam para instaurar o discurso do entusiasmo, da superação e da vontade pessoal como ferramenta de mudança, ignorando as estruturas socioecológicas. Tampouco aceita uma noção estrita de "felicidade", usada para legitimar estilos de vida supostamente "corretos". Este livro expõe e analisa problemas, ao mesmo tempo que propõe algumas soluções, buscando abrir espaço para o debate. Aqui se questiona sem rodeios o patriarcado e o colonialismo enquanto pilares da civilização do capital, a qual deveria ser superada por caminhos comunitários. Definitivamente, estas páginas pretendem sacudir as inércias e as leituras ortodoxas. A meta deste livro é incomodar.
Alberto Acosta é político e economista, companheiro de luta dos movimentos indígenas, sindicais, camponeses, ecologistas e feministas. Nasceu em Quito, capital do Equador, em 1948. Graduou-se em economia na Universidade de Colônia, na Alemanha, onde também se especializou em comércio exterior, marketing, geografia econômica e economia energética. Trabalhou como consultor de diversas instituições equatorianas e internacionais, como a Organización Latinoamericana de Energía e o Instituto Latinoamericano de Investigaciones Sociales. Foi gerente de comércio da Corporación Estatal Petrolera Ecuatoriana. Dedica-se ao estudo da dívida externa do Equador desde 1982. Participou da fundação do Instituto de Estudios Ecologistas del Tercer Mundo e do partido Alianza País, que ascendeu à Presidência da República em janeiro de 2007 com Rafael Correa. No primeiro ano de mandato, assumiu o Ministério de Energia e Minas por cinco meses. Em novembro foi eleito presidente da Assembleia Constituinte do Equador. Foi professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). Ajudou a fundar o movimento Montecristi Vive, que reivindica o Bem Viver, os Direitos da Natureza e a plurinacionalidade expressos na Constituição equatoriana. Em 2013, lançou-se como candidato à Presidência da República pela Unidad Plurinacional de las Izquierdas, obtendo escasso apoio popular. Em 2014, passou a atuar como juiz do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza. Publicou vários livros, entre eles, Breve história econômica do Equador (Funag, 2006) e, com Ulrich Brand, Pós-extrativismo e decrescimento: saídas do labirinto capitalista (Elefante & Autonomia Literária, 2018). É coorganizador de Pluriverso: um dicionário do pós-desenvolvimento (Elefante, 2021).