Navegadores, corsários, geógrafos, marinheiros, soldados, náufragos, cirurgiões-barbeiros e, principalmente, mercadores narram suas experiências e aventuras, em diferentes gêneros: cartas, notícias, relatórios, obras de geografia, diários de bordo, relatos de viagem, depoimentos à Justiça.
As viagens inglesas ao Brasil durante o século XVI são menos conhecidas do que as viagens de franceses e holandeses, e permaneceram praticamente à margem da historiografia brasileira. Ocorridas em uma época de grandes transformações geopolíticas, revelam o interesse que a Inglaterra nutriu pela colônia portuguesa ao longo do primeiro século de ocupação, assim como as diferentes fases das relações entre Brasil e Inglaterra — de um primeiro período de exploração marítima e descobrimento e de tentativas de estabelecer relações comerciais, até as últimas décadas de hostilidade aberta e ataques de corsários.
Os relatos reunidos em Ingleses no Brasil, contextualizados por um posfácio e notas explicativas, refletem a diversidade cultural e social de seus autores, e trazem um olhar múltiplo sobre esse período e sobre aspectos pouco conhecidos da Colônia.
Sheila Hue é professora do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Suas principais áreas de pesquisa são os discursos quinhentistas sobre o Brasil e os estudos camonianos. Junto com Vivien Kogut Lessa de Sá, editou As incríveis aventuras e estranhos infortúnios de Anthony Knivet (Zahar, 2007). Ambas desenvolvem há anos pesquisas sobre os relatos das viagens inglesas ao Brasil no século XVI . Entre os últimos trabalhos publicados está o capítulo "English pirates: early Anglo-Portuguese relations in the New World", no volume Transnational Portuguese Studies , organizado por Hillary Owen e Claire Williams (Liverpool University Press, 2020).