Desde então, Zurita faz versos altivos, brilhantes, e promove seus atos poéticos com o estardalhaço preciso para denunciar e enfrentar a violência, o que inclui até mesmo escrever palavras no deserto ou com aviões no céu. Em sua obra, já traduzida para muitas línguas, se tece uma militância em defesa da vida, seja quando ela está sob o ataque de ditadores, seja quando as injustiças a reduzem à luta pela sobrevivência.
Cobrindo esse vasto e denso panorama de meio século de produção, Sua vida quebrando-se é a primeira antologia brasileira da obra de Zurita. O livro foi organizado por Francesca Cricelli, responsável também pela tradução, e Ana Rüsche, autora do posfácio, a partir da antologia pessoal do poeta, Tu vida rompiéndose (2016), em que ele não apenas revisa, mas também repropõe as combinações internas de uma obra que, revirando o passado, nos chega igualmente viva e inquietante. Zurita é urgente — sempre.
Raúl Zurita nasceu em Santiago do Chile, em 1950. Poeta e crítico literário, foi professor nos EUA e no Chile. Por seus diversos livros publicados desde os anos 1970, como Anteparaiso (1982) e Canto a su amor desaparecido (1985), recebeu alguns dos principais reconhecimentos da literatura de língua espanhola, como o prêmio Pablo Neruda e o Rainha Sofia.