O poeta escreve como se retirasse, de uma caixa há muito guardada, fotografias de diferentes momentos, lugares e personagens, e, de repente, elas começassem a contar uma outra história, atravessada por violência, sumiços, perdas e esperas sem fim. No jogo de sucessão e sobreposição de imagens, ecoa uma pergunta que parece (co)mover seus versos: “Em que momento a alegria silenciosamente se apaga?”.
Nesse sentido, o poema é também uma forma de indagação diante do vazio, do silêncio, do buraco deixado pela ausência de quem amamos (impossível não se lembrar, ao passar por estas páginas, do filme Ainda estou aqui e sua história de “desaparecimento forçado”), e se insurge, a seu modo, contra as distâncias intoleráveis. De um lado, pela certeza de que “o tempo é a maior distância/ entre dois lugares”. De outro, pelo desejo de saber o que separa o primeiro sorriso do sobrinho e o último sorriso da avó.
André Santa Rosa nasceu em 1999, em Maceió. É autor do livro retratos de ruínas & outros fantasmas comuns (Urutau, 2022), além de ter poemas publicados em diversas revistas literárias, como a Cult. Atuou como crítico no jornal literário Suplemento Pernambuco e, atualmente, trabalha no Theatro Municipal de São Paulo.