Narrada por uma voz feminina, a autora subverte a idealização romântica, transformando o romance indigenista em um espaço de denúncia, trazendo a público feridas sociais raramente abordadas pela perspectiva feminina. A autora critica o casamento arranjado, no qual a mulher é tratada como "mercadoria" diante do poder patriarcal.
O livro apresenta uma denúncia explícita da escravidão dos povos indígenas, alicerce essencial na construção da nação brasileira. Expõe o racismo, o abuso e o abandono, temas que fazem de Anna Luiza de Azevedo Castro, sob o pseudônimo Indigena do Ypiranga, uma precursora da voz crítica feminina na literatura brasileira.
Baseada no livro publicado em 1859, esta nova edição teve a ortografia atualizada e conta com notas explicativas para termos e expressões fora de uso.
Anna Luiza de Azevedo Castro, conhecida como Anna de Castro, nasceu em São Francisco do Sul (SC) em 1823, mas viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro.
Escreveu e publicou poemas e artigos. Seu único romance foi D. Narcisa de Villar, que assinou com o pseudônimo Indigena do Ypiranga. Obra inicialmente publicada como folhetim no jornal A Marmota, entre abril e julho de 1858.
Foi também ativa educadora, atuando como professora e diretora em um dos maiores colégios femininos do Rio de Janeiro, e sócia honorária da Sociedade Brasileira de Ensaios Literários. Defendia o direito da mulher à educação e à literatura como forma de combate à submissão intelectual feminina.
Anna de Castro faleceu no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1869, aos 46 anos.