Apesar dos riscos e da baixa remuneração, Lewis acertadamente frisa como gestantes remuneradas não pedem que as socorram. São, acima de tudo, trabalhadoras que merecem nosso respeito, embora não o tenham de uma parcela considerável da sociedade. Para a autora, ser contra ou a favor da barriga de aluguel é irrelevante. Dessa forma, a questão é: por que devemos ser mais contra esse trabalho específico do que contra outros empregos de risco? Enquanto mulheres de classe média são encorajadas a buscar carreiras, espera-se que mulheres da classe trabalhadora aceitem qualquer emprego em troca de um salário. Qualquer emprego que o moralismo burguês julgue como digno e aceitável, que claramente não contempla ser gestante substituta. Outra gravidez é possível é sobre menos salvadoras brancas, mais ciborgues. Menos romantização da gestação, mais abraçar a violência bestial desse processo. Menos vínculo materno, mais vínculo placentário. Menos bioparentesco, mais camaradagem. Ciborgues híbridos, monstros flutuantes e dublês gestacionais são protagonistas desta obra que agora começa.
— Bruna Kern Graziuso, no Prefácio à edição brasileira
Sophie Lewis é escritora e vive na Filadélfia, Estados Unidos, onde ministra cursos no Brooklyn Institute for Social Research. Teve ensaios publicados em periódicos como The New York Times, Harpers, Boston Review, n+1, London Review of Books e Salvage. É professora voluntária visitante no Center for Research in Feminist, Queer, and Transgender Studies da Universidade da Pensilvânia. Com mestrado pela Universidade de Oxford e pela New School for Social Research, doutorou-se pela Universidade de Manchester com a tese Cyborg Labor: Exploring Surrogacy as Gestational Work. Publicado originalmente pela Verso em 2019, Outra gravidez é possível é seu livro de estreia. Também é autora de Abolish the Family: A Manifesto for Care and Liberation (Verso, 2022) e Enemy Feminisms: TERFs, Policewomen, and Girlbosses Against Liberation (Haymarket, 2025).