E é claro que isso chamaria a atenção dos poetas, não apenas porque eles amam suas línguas e cada uma das palavras, mas porque sabem — ou tentam desesperadamente saber — o que ganhamos e o que perdemos em cada esquina da linguagem. É o que podemos constatar em Faltam emojis, série de poemas em que Laura Erber investiga o que se tornou nossa comunicação (e nossa vida!) quando, no lugar das velhas frases, passamos a enviar os desenhos inventados por um jovem designer japonês há menos de três décadas: "críticos argumentam/ que o seu uso/ degradou a qualidade do discurso da vida dos amores/ que as novas gerações/ estão ficando emocionalmente/ estúpidas".
Nesse tempo, muita coisa mudou e, junto com as expressões faciais resumidas em rostos que são simples bolinhas amarelas, temos centenas de símbolos para dizer quase tudo — ou quase nada. Porque, na verdade, o que a poeta nos ensina, ao declarar que faltam emojis, é que sempre faltarão emojis: a vida não cabe nem caberá neles. Depois de ler os poemas, vai ser mais difícil deixar um emoji se intrometer, impensada e impunemente, entre suas palavras. E, mais ainda, entre você e outra pessoa de carne e osso.
Laura Erber nasceu no Rio de Janeiro, em 1979, e atualmente vive na Holanda. Poeta, ensaísta, tradutora e editora, entre suas publicações destacam-se os livros de poemas Os corpos e os dias (Editora de Cultura, 2008) e As palavras trocadas (Âyiné, 2023); o romance Esquilos de Pavlov (Alfaguara, 2013); os infantis Nadinha de nada (Companhia das Letrinhas, 2016) e O método de Pepe Chevette (Biruta, 2021); e os ensaios de O artista improdutivo (Âyiné, 2021) e Pequenos fogos (Relicário, 2025).