Dividido em quatro seções, o livro apresenta uma fauna variadíssima, por meio da qual uma longa história das espécies ilumina as encruzilhadas da nossa própria espécie. Para a poeta, "escrever é escavar" e, em seus versos, é possível (re)aprender que a poesia é uma forma de olhar longamente para as coisas, para cada detalhe da vida, detendo-se até extrair o que há de mais recôndito e, por vezes, incômodo sob a casca de tudo.
E esse olhar é, essencialmente, sua forma de participação. Como diz Florencia Garramuño, a investigação cuidadosa que cada palavra implica é um modo de "inserir-se na colmeia que é o mundo, intervir nela, participando desse enredo de seres humanos e não humanos". Em Tomar parte no enxame, "cada abelha é uma célula// a colônia é o verdadeiro animal". Ler, aqui, é tomar parte: saber-se mel. E veneno.
Mônica de Aquino nasceu em 1979, em Belo Horizonte, onde vive. Publicou Sístole (Bem-Te-Vi, 2005), Fundo falso (Relicário, 2018), livro vencedor do prêmio Cidade de Belo Horizonte de 2013 e finalista do Jabuti de 2019, Continuar a nascer (Relicário, 2019) e Linha, labirinto (Macondo, 2020).