Mediapolis n.º 3 - o ensino do jornalismo no século XXI

Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press

Mediapolis – Revista de Comunicação, Jornalismo e Espaço Público é a publicação científica do Grupo de Investigação em Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, e pretende ocupar um lugar de referência no espaço lusófono e latino-americano, na publicação de artigos e investigações, na área dos Media do Jornalismo, dando particular ênfase aos aspetos relacionados com as suas incidências no espaço público, nos sistemas políticos e na democracia. É um dos pólos privilegiados de divulgação e internacionalização do trabalho da investigação do Grupo de Investigação em Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, devendo dar particular atenção ao desenvolvimento de novas linhas de investigação e à promoção do trabalho de novos investigadores.

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Publisher
Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
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Published on
May 1, 2017
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Pages
186
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Language
Portuguese
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O caráter intrinsecamente interdisciplinar da “crise” começa logo na sua etimologia. Crise remete para crítica. E o verbo grego krinein significa julgar e, nesse sentido, decidir, julgar, cortar, separar, cindir, estabelecer diferenças. Mas a cisão só ocorre, a diferença só se estabelece, entre aquilo que tem relação. A relação que a cisão crítica exige aponta, então, para o contacto entre análises diferenciadas, por cujo cruzamento se possa desenvolver uma compreensão mais original – mais originária e, neste sentido, mais crítica – dos temas tratados. Mas há também um sentido mais óbvio onde a interdisciplinaridade do tema da crise pode ser surpreendida. Tal sentido deriva do próprio conteúdo imediato do fenómeno para o qual este tema aponta. Por um lado, em certo sentido, poderíamos dizer que a vida fática do homem no mundo é perpassada pela crise. Uma vida humana não se reduz ao simples facto de se viver; existir humanamente significa já habitar uma “crise”, ser perturbado pelo enigma da existência. Por outro lado, numa outra aceção, o nosso tempo, a “era comunicacional” e a “era da informação”, é também, mais do que nunca, especificamente um tempo de crises: crise social, crise de valores, crise educacional, crise política, crise económica, crise financeira. Os contributos que as ciências da comunicação e as ciências da informação podem dar para a compreensão profunda destas crises são aqui decisivos, sobretudo quando em diálogo com perspetivas filosóficas de abordagem destes fenómenos. Colhendo esta multiplicidade de sentidos que o tema da crise nos disponibiliza, o presente livro pretende dar lugar precisamente a uma variedade de abordagens que seja o eco desta multiplicidade de sentidos. É com este propósito que se tem em vista aprofundar a crise. Este aprofundamento é, aliás, essencial para o debate fundado não apenas dos problemas, mas também das soluções. Talvez este aprofundamento da crise se possa colocar sob o mote de um verso do poeta Hölderlin, muitas vezes citado por autores filosóficos: “Só onde está o perigo é que também cresce o que salva”.
A porosidade crescente das fronteiras entre os campos da Justiça e dos media pode ser pensada por referência às exigências do tempo presente. Dificilmente as sociedades contemporâneas se compadecem com uma visão da Justiça fechada sobre si mesma e sobre a estrita racionalidade que orienta a sua administração, exigindo pelo contrário um crescente escrutínio das decisões judiciais. A Justiça vê-se, por conseguinte, forçada a adotar práticas discursivas de maior transparência e clareza, de modo a poder explicar-se perante o público e os media. Trata-se, simultaneamente, de sociedades que carecem de uma estrutura de mediação da realidade social e da formação da opinião comunicativa, que amplificam, quer por gerirem, num espaço público alargado, as trocas comunicacionais desenroladas nos demais campos da vida coletiva, com os quais constroem uma multiplicidade de relações. Não obstante as áreas de tensão que se espraiam, a Justiça e os media estão, pensamos, em condições de construir diferentes patamares de entedimento. E estão-no não apenas numa dimensão normativa, devido às responsabilidades públicas de ambas as instituições nas democracias contemporâneas, como também numa igualmente importante dimensão empírica, como este livro procura demonstrar. De facto, ao suscitar a reflexão sobre as fronteiras que aproximam e separam os planos da deliberação pública formal, representada pelos tribunais, e informal, represnetada pelos media, a coletânea de textos que ora se apresenta redime precisamente a teorização tradicional neste domínio de um revivificado ceticismo. 


The growing porosity of the boundaries between the justice system and the media should be considered with reference to the demands of the present age. It is difficult for contemporary societies to deal with a justice system that is closed in upon itself and oriented by a strict rationality. They demand more scrutiny of judicial decisions, clearer and more transparent discursive practices, and more accountability to the public and the media. However, these societies do not have any structure for mediating social reality and the formation of communicative opinion, which means that the communicational exchanges that take place in the various fields of collective life are amplified by being managed within a broad public area and used to construct a multiplicity of relations. Despite the areas of tension involved, the justice system and the media are, we believe, in a position to foster a better understanding, not only on a normative level, given the public responsibilities accruing to both institutions in contemporary democracies, but also empirically, as this book attempts to show. In fact, by stimulating reflection about the boundaries that join and separate the different levels of formal public deliberation, as represented by the courts, and the informal level represented by the media, this collection of texts manages to redeem the traditional theorization in this domain from a revived scepticism.

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