Humanitas Vol. LXVIII

Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
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A Humanitas é a mais antiga revista publicada em Portugal especializada em Estudos Clássicos Greco-Latinos e Renascentistas, mas aberta a contributos de áreas dialogantes (História, Arqueologia, Filosofia, Religião, Arte, Retórica, Receção dos Clássicos, entre outras). Tem mantido um ritmo de publicação anual regular, desde o ano da sua criação, em 1947, e é propriedade do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trata-se de uma revista destinada a académicos e investigadores, tanto nacionais como estrangeiros.
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Publisher
Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press
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Published on
Dec 29, 2016
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Pages
316
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Language
Portuguese
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O presente livro oferece uma abordagem diacrónica de elementos patrimoniais de alguns dos padrões alimentares dos Portugueses e da forma como a receção e fusão dos mesmos se dá na cultura brasileira. A obra constitui-se de quatro partes, formadas por capítulos agregados por épocas históricas (da Antiguidade Clássica à Época Contemporânea). Assim os capítulos reunidos na I Parte apresentam estudos sobre hábitos de consumo e rituais de convivialidade oriundos das duas grandes civilizações fundadoras da Europa, a grega e a latina, e têm por objectivo demonstrar como algumas práticas, hoje tidas irrefletidamente por hábitos dos tempos contemporâneos, são muito mais do que isso. Constituem a ligação do homem atual a um passado distante, a herança mediterrânea antiga, ainda assim modeladora da sua identidade. Na Parte II o enfoque orienta-se para o universo da alimentação na Idade Média, quer abordando questões de ordem moral/religiosa, quer debruçando-se sobre dois dos universos mais documentados para a época em questão: a mesa dos reis e a das ordens monásticas. Segue-se a Parte III, que permite ao leitor compreender, com base no exemplo da mesa régia e de um colégio universitário, alguns dos aspetos fundamentais da transição da Idade Média para a Idade Moderna. Os Descobrimentos portugueses provocaram um enorme impulso na produção de açúcar e, consequentemente, no fabrico, comércio e consumo de doces, temática central nesta parte da obra. Na Parte IV, cria-se um espaço de reflexão sobre o contributo da herança cultural portuguesa na construção de um discurso sobre a cozinha brasileira e no aparecimento na sociedade, sob a influência colonial, de mitos, crenças e tabus associados ao aleitamento materno (um tema geralmente marginalizado no âmbito da História da Alimentação).
A Humanitas é a mais antiga revista publicada em Portugal especializada em Estudos Clássicos Greco-Latinos e Renascentistas, mas aberta a contributos de áreas dialogantes (História, Arqueologia, Filosofia, Religião, Arte, Retórica, Receção dos Clássicos, entre outras). Tem mantido um ritmo de publicação anual regular, desde o ano da sua criação, em 1947, e é propriedade do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trata-se de uma revista destinada a académicos e investigadores, tanto nacionais como estrangeiros. Aceitam-se trabalhos em português (língua do espaço lusófono), bem como em inglês, espanhol, italiano e francês. Em nome da internacionalização crescente da revista, privilegia-se a publicação de estudos em inglês. Publicam-se duas tipologias de contributos: a) estudos de especialidade, originais e que constituam abordagens relevantes e dinamizadoras do avanço do conhecimento nas respetivas áreas; b) recensões críticas de obras publicadas há menos de 2 anos, à data de envio da proposta. Os contributos de tipo a) são sujeitos a um processo de avaliação cega, por avaliadores internacionais considerados especialistas nas áreas científicas em questão. A aceitação dos contributos de tipo b) é da responsabilidade da Direção da Revista e da sua Comissão Científica. Não serão considerados os manuscritos submetidos também a processos de publicação noutros periódicos ou livros, pelo que os proponentes têm de declarar, no ato de envio do trabalho, sob compromisso de honra, que observam esta cláusula. A Humanitas está catalogada no Web of Science (Thomson Reuters/ESCI), no Latindex, na Dialnet, no European Reference Index for the Humanities and Social Sciences (ERIH PLUS), no Directory of Open Access Journals (DOAJ), EBSCO, no Scientific Journal Impact Factor e na BIBP (Base d’Information Bibliographique en Patristique).


Humanitas is the oldest scholarly journal published in Portugal devoted to Greek, Latin and Renaissance Classical Studies, although it welcomes contributions from other interfacing fields of study (History, Archaeology, Philosophy, Religion, Art, Rhetoric, Reception of the Classics, among others). Owned by the Instituto de Estudos Clássicos of the Faculdade de Letras, University of Coimbra, Humanitas has been published regularly on a yearly basis since its inception in 1947. The journal is aimed at researchers and scholars, both Portuguese and international. Contributions in Portuguese (the language of the Lusophone world), as well as in English, Spanish, Italian and French are welcome. Given its growing internationalization, the journal privileges the publication of articles in English. Contributions can be of two types: a) original specialized articles constituting relevant approaches capable of stimulating the advancement of research in their respective areas; b) review articles of works published during the 2 years preceding the submission. Type a) contributions are subject to a blind peer review process by international referees chosen on the basis of their expertise in the relevant scientific areas. Responsibility for publication of type b) contributions rests with the journal’s Board of Editors and Advisory Board. This journal does not accept papers submitted for publication in other periodicals or books. Upon submission of their manuscripts, all authors must declare on their honour that they comply with this rule. Humanitas is indexed at Web of Science (Thomson Reuters/ESCI), Latindex, Dialnet, European Reference Index for the Humanities and Social Sciences (ERIH PLUS), Directory of Open Access Journals (DOAJ), EBSCO, Scientific Journal Impact Factor and BIBP (Base d’Information Bibliographique en Patristique).

A presente obra dá conta de como o Património Alimentar do Mundo Lusófono (em especial de Portugal e do Brasil) resulta de uma verdadeira “odisseia” de sabores, pois assenta sobre as viagens (longas, incertas e, o mais das vezes, penosas) de portugueses para terras desconhecidas ou mal conhecidas — desde os tempos iniciais dos descobrimentos (sécs. XV–XVI) até os fluxos migratórios mais recentes (séc. XX). Em sua bagagem, os colonos e os emigrantes carregavam uma série de memórias identitárias (dentre elas, a gustativa). A respeito desses Novos Mundos, criaram uma série de expectativas, sem nunca deixarem de sentir certa nostalgia em relação ao local/cultura de origem. Assim, o livro começa por contemplar estudos sobre as raízes culturais greco-latinas e medievais da alimentação portuguesa, patrimónios alimentares levados do reino para os Novos Mundos. Seguem-se abordagens diversas sobre os encontros multiculturais ocorridos entre portugueses, brasileiros e outras populações. Começa-se com o diálogo estabelecido entre portugueses e africanos (sécs. XV–XVI). Sucedem-se reflexões tanto sobre a integração e acomodações do receituário português na América Portuguesa (sécs. XVI–XVII) como sobre a introdução de produtos das Américas no receituário conventual português da Época Moderna. Reúnem-se, ainda, estudos sobre a história da alimentação no estado do Paraná, o relevo da gastronomia regional na história da alimentação brasileira contemporânea e uma revisitação ao capítulo “Ementa Portuguesa” da História da Alimentação no Brasil, de Câmara Cascudo. 

 

The book investigates how the Portuguese Culinary Heritage (mainly from Portugal and Brazil) offers a wide range of tastes originating from the travels (long, uncertain and frequently painful) of the Portuguese to unknown or only scantily-known lands from the start of the Discovery Era (15th and 16th centuries) to the most recent migratory waves (20th century). Settlers and emigrants carried in their trunks a wide range of souvenirs, among which culinary recipes may be included. Although the new lands produced high expectations, homesickness with regard to their culture and costumes was never absent.
The book is divided into two parts. Part I deals with the Greco-Roman and Medieval cultural roots of Portuguese food (Chapters 1 and 2). Part II, with nine chapters, deal with the multicultural encounters between Portuguese, Brazilians and other populations. The Portuguese-African dialogue started in the 15th and 16th centuries (Chapter 3). Two complementary comments are discussed: the first comprises the integration and adaptation of the Portuguese Food Recipes in Portuguese America of the 16th and 17th centuries (Chapter 4) and the second deals with the inclusion of products from the Americas during the Modern Age (Chapter 5). Five studies are devoted to the history of food in the state of Paraná (Supply in Chapter 6; Gender Issues in Chapter 7; Immigration in Chapter 9; Regional Recipes in Chapter 10), to the regional gastronomy in contemporary Brazilian food history (in the state of Piauí in Chapter 11) and to a revision of the chapter called ‘Ementa Portuguesa’ from Câmara Cascudo´s book História da Alimentação no Brasil (Chapter 8).
 

Destina-se esta coleção a publicar textos resultantes da investigação de membros do projeto transnacional DIAITA: Património Alimentar da Lusofonia. As obras consistem em estudos aprofundados e, na maioria das vezes, de carácter interdisciplinar sobre uma temática fundamental para o desenhar de um património e identidade culturais  comuns à população falante da língua portuguesa: a história e as culturas da alimentação. A pesquisa incide numa análise científica das fontes, sejam elas escritas, materiais ou iconográficas. Daí denominar-se a série DIAITA de Scripta - numa alusão tanto à tradução, ao estudo e à publicação de fontes (quer inéditas quer indisponíveis em português, caso dos textos clássicos, gregos e latinos, matriciais para o conhecimento do padrão alimentar mediterrânico), como a monografias. O subtítulo Realia, por seu lado, cobre publicações elaboradas na sequência de estudos sobre as “materialidades” que permitem conhecer a história e as culturas da alimentação no espaço lusófono.


The present work offers the first translation into Portuguese of the oldest Greek gastronomic text that has come down to us, albeit only in fragmentary form. The poem written by the Sicilian author Archestratus (4th century BC) is an account of the sophisticated food eaten by the aristocratic elites with enough economic power to buy the most expensive ingredients (such as high quality fresh fish) and to undertake the gastronomic tours implied in the text. In chapter I, a survey is offered of the biographical data pertaining to the author and of the transmission and reception of his work up to the present day. This is followed by the translation of the 60 fragments (chapter II), with notes and photographs that illustrate some of the dishes. In chapter III, a detailed analysis is offered of the poem’s contribution to the historical study of food in ancient Greece. Here, “Archestratus’ cuisine” is considered from five perspectives: produce, culinary methods, utensils, furniture and production agents. Attention may be drawn to the use of maps showing the whereabouts of ingredients used in the confection of the recipes present in the work and a detailed study of the terminology used in the poet’s kitchen. Extra features in the book are appendices with some of the recipes, updated according to modern standards; bibliography (editions and secondary literature); and indices of the food-orientated fauna and flora mentioned (in Portuguese, with Latin scientific name and Greek term).

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